quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Acordei com o sopapo da claridade pela manhã, o que me fez olhar as horas no relógio e me virar para o outro lado tentando voltar pra dentro do sonho, pra dentro daquela farsa onde continha felicidade e um amor, algo tão diferente da minha realidade..
Passaram-se alguns minutos e percebendo que seria impossível, pus-me de pé, me dirigi ao banheiro e lavei o rosto, olhei-me no espelho e desci as escadas calmamente, peguei o jornal no correio e fiz um café.
Era cedo demais e eu estava pensativa nesse dia, pensei em tantas coisas, nos meus amigos que moram longe daqui e que são tão amados por mim, lembrei dos dias em que eu sonhava em ser o genio do piano, a primeira música que alguém me dedicara e onde estaria agora o menino dos olhos que faziam tudo valer a pena, nesse momento minha mente e meu coração faziam questão de dividir suas angustias com minha alma. Alguns goles de café ajudaram a dissipar a aura refuginosa da saudade.
A campainha tocou, desci as escadas me perguntando quem seria essa manhã e ao abrir a porta, deparei-me com uma caixa média embrulhada em um papel preto de bolinhas brancas, abri rapidamente.
A caixa continha duas fotos com menino que roubara meus encantos e eu junto delas um bilhete feito em folha de caderno que dizia:
"Tu deves estar estranhando essa caixa aparecer sem dono, mas ao abrir deve ter se deparado com nossas fotos tiradas ano passado, lembra desse dia? Lembra que era teu aniversário? Não esqueci desse dia, aliás, como poderia esquecer dos dias em que passei com a menina que levara meus encantos e deixara apenas insônia? Me desculpa por essas palavras nesse dia tão especial tanto pra ti quanto pra mim, só queria dizer que não esqueci que hoje completas dezessete anos.
Meus parabéns, meu anjo.

PS.: Não sei se reparou nas cores do embrulho, mas eu lembrei que tu tinhas um vestido com bolinhas que usou no nosso primeiro encontro e disse-me que era seu favorito talvez não seja mais, não sei."

Fiquei estagnada olhando as fotos enquanto lágrimas corriam pelos meus olhos.
Peguei o telefone torcendo para que fosse o mesmo número, não era. E assim, a partir do momento em que avançavam as horas no relógio, ficaram pra trás os sorrisos, os afetos e os olhares deixando apenas mais
saudade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário